sexta-feira, 10 de junho de 2011

Amor Perfeito

Prece a um amor perfeito



Porque te vi menina, correndo de short e cabelos compridos sob as mangueiras frondosas;

Porque vi os teus despreocupados risos, a tua alegria juvenil e ouvi os teus risos de criança;

Porque te vi crescendo e ficando mais bela, mais viçosa, mais fugidia.

Nos teus primeiros albores, no fulgir de tua transformação de meiga criança em adolescente irresistível e pura.

Eu te amei!...





Amei quando eu ainda não compreendia bem o que era esse impulso, essa inquietação, essa vontade de te ver, de me aproximar; essa alguma coisa que me entristecia na tua ausência, essa ansiedade com que eu esperava tornar a te ver.

Te amei nos trejeitos; no riso largo e descontraído, nos cabelos á la garçon’ daqueles anos; nos olhos negros e no olhar profundo e sincero que me devassava; no corpo que adquiria contornos desconcertantes; nos seios que despontavam compondo e enriquecendo o todo, apesar de teu recato.

Te amei tanto que tive forças para, na distância, buscar um futuro para nós dois.

Te amei e te amo tanto que imagino ter eu, e somente eu, colhido o primeiro e todos os teus beijos de amor; todos os teus sorrisos; todos os teus ciúmes, e as mágoas por amor causadas; e as lágrimas por amor choradas; e os ódios do amor nascidos; e os pensamentos que o amor produz; e todas as emoções do amor enfim: pequenas, grandes, infinitas, arrebatadoras, olvidadas e as inesquecíveis.

O tempo passa e eu sigo te conhecendo todos os dias um pouco mais e meu amor por ti segue sendo sempre maior e mais intenso.

Depois de teres me concedido as benesses dos teus encantos, os beijos plenos de teu calor, o amparo, as emoções maiores, o teu amor puríssimo que preencheu todo o universo de minha sede de afeto; ainda me destes filhos que me completam, me orgulham e nos perpetuam.

Depois de tudo teres me dado, depois de teres dedicado tão largo e tão precioso tempo de tua existência a meu lado, comigo e para mim... Seria imaginável que nesse dia, esperasses, talvez um poema, umas rimas, uma estrofe ao menos que te contasse, te transmitisse a infinitude do amor que tenho aqui dentro e nesses anos todos venho tentando externar.

Ah! Querida. Como é pouca a minha arte, quão incapaz é minha rima... Para dizer-te de tal maneira que o sentisses concretamente.

Tirado, uma vez de dentro de mim, esse sentimento, para que o visses em toda sua magnitude; eu, com toda certeza sucumbiria. Pois esse amor é meu próprio eu...

Ele e tão somente ele me anima, ele só e não mais que ele, motiva minha alma. Ao embalo compassado desse amor é que meu coração alterna movimentos que findam sendo fluxos e refluxos de vida. Advêm dele esses clarões, esses lampejos que às vezes fulguram em meu cérebro e se externam em idéias, em pensamentos, em inspirações.

Esses tantos anos juntos, somados aos que te aguardei; aos que te contemplei apenas; aos de namoro e noivado; perfazem minha existência toda até aqui. Porém, só uma vida secular e unida, cosida, lentamente haurida a dois poderá, talvez, no apagar das luzes ter dado a ti uma pálida noção do que seja esse amor.

Sê alegre, sorri despreocupada que desse bem-querer emana um campo capaz de envolver-te em todos os momentos, em todos os teus estados de alma, em todas as distâncias atingidas ou imaginadas.

Essa atmosfera do meu amor já não me pertence.

É tua e estará contigo sempre e sempre...

(22/7/1987)